{"id":23,"date":"2017-04-13T11:59:42","date_gmt":"2017-04-13T14:59:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/?p=23"},"modified":"2017-06-12T15:46:41","modified_gmt":"2017-06-12T18:46:41","slug":"as-agencias-reguladoras-no-brasil-e-sua-involucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/2017\/04\/13\/as-agencias-reguladoras-no-brasil-e-sua-involucao\/","title":{"rendered":"AS AG\u00caNCIAS REGULADORAS NO BRASIL E SUA INVOLU\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.jforman.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/plataforma.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1043\" src=\"http:\/\/www.jforman.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/plataforma.jpg\" alt=\"\" width=\"1900\" height=\"400\" \/><\/a><\/p>\n<p>No momento em que se discute a reformula\u00e7\u00e3o do papel da Ag\u00eancias Reguladoras no Brasil, \u00e9 bom lembrar que a cria\u00e7\u00e3o destas inspirou-se em modelos desenvolvidos no exterior. Os modelos visavam a independ\u00eancia dessas ag\u00eancias com rela\u00e7\u00e3o ao Governo, aos agentes econ\u00f4micos e aos pol\u00edticos, para atender aos interesses maiores da sociedade, al\u00e9m de assegurar maior previsibilidade e estabilidade aos investidores nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>As ag\u00eancias reguladoras t\u00eam sua origem no S\u00e9culo XIX, nos EUA. A motiva\u00e7\u00e3o para sua cria\u00e7\u00e3o decorreu da necessidade de disciplinar o r\u00e1pido desenvolvimento tecnol\u00f3gico das estradas de ferro, que tiveram um impacto central na vida do cidad\u00e3o americano, como nunca antes acontecera.<\/p>\n<p>As empresas ferrovi\u00e1rias, com sua economia peculiar, implicavam no desenvolvimento do que veio a ser chamado de \u201cmonop\u00f3lio natural\u201d, o que gerou a necessidade de pol\u00edticas adequadas para controlar ou inibir as falhas de mercado, em outras palavras, um equil\u00edbrio mais justo e racional entre interesses p\u00fablicos e privados.<\/p>\n<p>A busca desse equil\u00edbrio demandou um novo instrumento jur\u00eddico-institucional, com caracter\u00edsticas de perman\u00eancia, lastreado em quadros dotados de conhecimento especifico e experi\u00eancia, os quais fossem, al\u00e9m disso, apol\u00edticos. Surgiu, assim, o que veio a ser conhecido como uma comiss\u00e3o reguladora.<\/p>\n<p>As caracter\u00edsticas das empresas ferrovi\u00e1rias demandavam que grandes despesas, como a compra de terras, a constru\u00e7\u00e3o da base para lan\u00e7amento de trilhos, a aquisi\u00e7\u00e3o de trilhos, locomotivas e vag\u00f5es, entre outros, fossem feitas antes da possibilidade de recuperar qualquer valor investido. As ferrovias equipadas precisavam estar prontas para permitir o transporte de cargas e passageiros, antes que a receita decorrente dessas atividades fosse poss\u00edvel. Tais empresas vieram a ser conhecidas como ind\u00fastrias capital-intensivas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, surgem as ind\u00fastrias de produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, que vieram a superar os gastos incorridos por uma ferrovia, o que tamb\u00e9m acontece na ind\u00fastria do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>No caso de uma ferrovia, os pre\u00e7os a serem praticados eram a consequ\u00eancia do n\u00famero de passageiros e os volumes de carga a serem transportados. Ou seja, quanto maior o n\u00famero de passageiros ou o volume de carga, menor o pre\u00e7o que poderia ser praticado. \u00c9 o que se conhece como economia de escala.<\/p>\n<p>Tais condicionantes foram o grande motivador para a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Reguladora. Na economia de escala, em teoria, quanto maior a escala, potencialmente menor o pre\u00e7o praticado. Para reduzir o pre\u00e7o, deve-se aumentar a escala, da\u00ed surge a tend\u00eancia ao monop\u00f3lio natural. Dito de outra forma, para obter os melhores custos e pre\u00e7os, a competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ocorrer. Nos EUA de ent\u00e3o, marcado<br \/>\npor princ\u00edpios econ\u00f4micos liberais, as no\u00e7\u00f5es de monop\u00f3lio e de restri\u00e7\u00f5es a competi\u00e7\u00e3o, eram conceitos inaceit\u00e1veis.<\/p>\n<p>A ideia de que as estradas de ferro fossem propriedade estatal, como em alguns pa\u00edses da Europa, n\u00e3o era atrativa num pa\u00eds tradicionalmente avesso \u00e0 presen\u00e7a do Estado no setor produtivo. Al\u00e9m disso, nos EUA prevalece o conceito de divis\u00e3o da autoridade constitucional, o que implicaria enormes obst\u00e1culos e dificuldades legais quanto \u00e0 responsabilidade da Uni\u00e3o e dos Estados no controle e gest\u00e3o cotidianos dessas empresas.<\/p>\n<p>Ademais, a administra\u00e7\u00e3o de empreendimentos complexos, como uma ferrovia, demandava um gerenciamento competente e especializado, algo ausente no sistema pol\u00edtico norte-americano, que fora criado com outros objetivos, como consta da sua Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>For\u00e7ar a competi\u00e7\u00e3o entre as ferrovias n\u00e3o obteve \u00eaxito, tampouco estimulou a constru\u00e7\u00e3o de novas vias. Tentou-se tamb\u00e9m a restri\u00e7\u00e3o dos lucros, o que foi prontamente descartado porque desestimulava novos empreendimentos.<\/p>\n<p>O conceito de um \u201cretorno adequado para um valor correto\u201d, veio a influenciar a regula\u00e7\u00e3o que se desenvolveu posteriormente. Decisivo, igualmente, foi o entendimento de que o conhecimento especializado n\u00e3o \u00e9 encontrado nem no Legislativo, nem no Executivo, pela pr\u00f3pria natureza de renova\u00e7\u00e3o de pessoas permanentemente, que resulta da natureza destas atividades. O curto espa\u00e7o de tempo em que os legisladores e os membros do Executivo passam em seus cargos, eletivos ou n\u00e3o, tamb\u00e9m demonstravam que era necess\u00e1rio buscar um novo tipo de solu\u00e7\u00e3o, mais permanente, para o melhor desenvolvimento dessas formas complexas de atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Tornou-se claro, portanto, que para atender aos interesses da sociedade e do setor privado, conhecimento e experi\u00eancia anal\u00edtica tinham que tornar parte permanente do sistema de governan\u00e7a. A resposta inovadora a esses dilemas foi a cria\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias reguladoras.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, entidades permanentes, dotadas de corpo t\u00e9cnico especializado e com o conhecimento necess\u00e1rio, poderiam agir no sentido de buscar o equil\u00edbrio entre os diferentes interessados e, quando necess\u00e1rio, levar informa\u00e7\u00f5es relevantes, para que o legislativo pudesse tomar decis\u00f5es corretas, e n\u00e3o baseadas apenas em informa\u00e7\u00f5es parciais e as vezes, distorcidas.<\/p>\n<p>Os debates e discuss\u00f5es quanto \u00e0 forma que deveriam seguir as ag\u00eancias reguladores, sua atua\u00e7\u00e3o e sua posi\u00e7\u00e3o no ordenamento legal de um pa\u00eds, v\u00eam se desenvolvendo ao longo dos anos e continuam vivos at\u00e9 os dias presentes, como \u00e9 o caso do Brasil, na atualidade.<\/p>\n<p>O breve hist\u00f3rico, sobre a origens das ag\u00eancias, teve como objetivo ressaltar os problemas que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o das mesmas e permitir a compreens\u00e3o das diretrizes usadas mundo afora, de forma mais ou menos semelhante, para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas de busca do equil\u00edbrio entre os diferentes atores.<\/p>\n<p>Atualmente, entende-se que o processo regulat\u00f3rio atual, est\u00e1 sujeito a dois riscos principais: a \u201ccaptura\u201d e a \u201cpolitiza\u00e7\u00e3o\u201d. Ambos s\u00e3o delet\u00e9rios e trabalham contra o interesse comum.<\/p>\n<p>Captura ocorre quando o interesse de determinado agente econ\u00f4mico passa a controlar um ente regulador, muitas vezes em contradi\u00e7\u00e3o com o interesse p\u00fablico. A captura acontece quando o que deseja determinado agente econ\u00f4mico, tem mais influ\u00eancia do que aquilo que o interesse p\u00fablico demanda.<\/p>\n<p>A politiza\u00e7\u00e3o aparece quando decis\u00f5es reguladoras s\u00e3o tomadas com base em press\u00f5es pol\u00edticas e n\u00e3o em bases t\u00e9cnicas. A politiza\u00e7\u00e3o pode ser o resultado de agendas especificas ou de campanhas ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Em ambos os casos, as complexidades t\u00e9cnicas s\u00e3o ignoradas, assim como as consequ\u00eancias futuras de decis\u00f5es ideol\u00f3gicas. S\u00e3o o resultado de atores em busca de ganhos pol\u00edticos, particularmente quando pr\u00f3ximos a processos eleitorais, com debates manipulados.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para evitar a captura, passa pela transpar\u00eancia e pela responsabiliza\u00e7\u00e3o. Os reguladores devem ser respons\u00e1veis pelas decis\u00f5es que tomam, o que demanda um processo de tomada de decis\u00f5es claramente definido e documentado, com justificativas s\u00f3lidas quanto as decis\u00f5es tomadas. Devem ser previstos mecanismos de apela\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es, assim como o respeito aos princ\u00edpios de justi\u00e7a, probidade e imparcialidade.<\/p>\n<p>A transpar\u00eancia \u00e9 a pr\u00e1tica consagrada de ser e estar aberto a todos os atores, quanto a objetivos, processos, dados e regula\u00e7\u00e3o. \u00c9 a base para que a confian\u00e7a p\u00fablica se desenvolva baseada no fato de que as decis\u00f5es do regulador s\u00e3o reconhecidas por estarem voltadas, primordialmente, para o interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>Outros atributos decisivos para o bom funcionamento das ag\u00eancias reguladoras s\u00e3o: autonomia e estabilidade, bem como a independ\u00eancia e delega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A independ\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria para que a regula\u00e7\u00e3o possa alcan\u00e7ar seu objetivo: o de alinhar o interesse p\u00fablico e o privado. Para que isto aconte\u00e7a os reguladores tem que ter independ\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o aos principais atores nos processos, a saber; as empresas ou concessionarias, o governo e os pol\u00edticos e, finalmente, os consumidores.<\/p>\n<p>A independ\u00eancia tamb\u00e9m traz aos consumidores, a certeza de que os reguladores n\u00e3o s\u00e3o capturados pelos investidores e complementa os mecanismos de transpar\u00eancia e de responsabilidade. A independ\u00eancia traz aos investidores, a certeza da separa\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es t\u00e9cnicas e econ\u00f4micas, das decis\u00f5es pol\u00edticas. Desaparece a no\u00e7\u00e3o de que cada governo de turno traz seu pr\u00f3prio marco regulat\u00f3rio para disciplinar a atua\u00e7\u00e3o de determinado setor complexo da economia.<\/p>\n<p>A independ\u00eancia \u00e9 a fase final da delega\u00e7\u00e3o. A delega\u00e7\u00e3o permite que sejam superadas assimetrias na informa\u00e7\u00e3o e aumenta a efici\u00eancia da governan\u00e7a em \u00e1reas t\u00e9cnicas, ao permitir o uso do conhecimento e da experi\u00eancia, levando a redu\u00e7\u00e3o dos custos pol\u00edticos. A delega\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es, tanto do ponto de vista legal, como na pratica, a uma ag\u00eancia aut\u00f4noma representa um \u00edndice de consist\u00eancia e credibilidade.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que quanto maior for o risco de mudan\u00e7as de governo ou de pol\u00edticas, mais aut\u00f4noma deve ser a ag\u00eancia. Quem investe em setores cuja matura\u00e7\u00e3o tarda d\u00e9cadas, n\u00e3o pode ficar ao sabor da ideologia predominante em determinado momento da hist\u00f3ria de um pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para quem delega, este ato pode, aparentemente, apresentar algumas desvantagens e custos. Da\u00ed decorre a tentativa de implementar medidas para conter a amplitude da independ\u00eancia\/delega\u00e7\u00e3o. Tais medidas costumam incluir san\u00e7\u00f5es, mecanismos de sele\u00e7\u00e3o, monitoramento e avalia\u00e7\u00f5es institucionais. Como tais medidas limitam a autonomia de uma ag\u00eancia, uma forma de medir a independ\u00eancia de determinada institui\u00e7\u00e3o, \u00e9 pela verifica\u00e7\u00e3o exist\u00eancia de tais controles.<\/p>\n<p>A independ\u00eancia de ag\u00eancias reguladoras espelha- se fortemente nos Bancos Centrais, os quais, tradicionalmente, recebem autonomia dos governos, para dar credibilidade a pol\u00edticas monet\u00e1rias. Para avaliar o grau de independ\u00eancia formal de Bancos Centrais, em 1992, Cukierman,Webb &amp; Neyapati, desenvolveram uma metodologia capaz de medir os diferentes aspectos da sua natureza legal, poderes, e<br \/>\ncontroles aos quais est\u00e3o submetidos . Em 2001, Fabrizio Gilardi adaptou este \u00edndice para medir a independ\u00eancia formal das ag\u00eancias reguladoras da Europa, usando como suporte te\u00f3rico o modelo do Principal-Agente.<\/p>\n<p>O \u00edndice de Gilardi \u00e9 composto por cinco indicadores com pesos id\u00eanticos:<\/p>\n<ul>\n<li>O status do Presidente\/Diretor Geral da Ag\u00eancia<\/li>\n<li>O status dos membros da Diretoria<\/li>\n<li>Rela\u00e7\u00f5es com o Governo e Legislativo<\/li>\n<li>Autonomia Financeira e Organizacional<\/li>\n<li>Compet\u00eancia Regulat\u00f3ria<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estes \u00edndices podem variar entre 0 (zero), quando n\u00e3o h\u00e1 independ\u00eancia e 1 (um) para a independ\u00eancia total ou absoluta. Nesses termos, em tese, a situa\u00e7\u00e3o ideal de independ\u00eancia somaria 1 (um), e valores abaixo indicariam n\u00edveis menores de independ\u00eancia.<\/p>\n<p>No caso das ag\u00eancias brasileiras, pode-se estimar, que o \u00edndice fica em torno de 0,5, indicando que, na situa\u00e7\u00e3o atual, a independ\u00eancia formal \u00e9 bastante limitada.<\/p>\n<p>Com as medidas anunciadas pelo atual governo, o n\u00edvel de nossas ag\u00eancias reguladoras, pode vir a ser mais baixo do que o atual, indicando uma redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de independ\u00eancia, o que teria o resultado oposto ao que se preconiza, a saber: diminui\u00e7\u00e3o da credibilidade e da confian\u00e7a destas agencias, perante a sociedade e investidores.<\/p>\n<p>O excesso de interfer\u00eancia governamental, sujeito \u00e0s varia\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias pol\u00edticas, aumentaria os riscos de captura e politiza\u00e7\u00e3o, reduzindo a independ\u00eancia e o n\u00edvel de delega\u00e7\u00e3o como \u00e9 desej\u00e1vel para uma ag\u00eancia reguladora competente, eficiente e eficaz. Aumentar a interfer\u00eancia governamental representar\u00e1 um retrocesso, n\u00e3o um avan\u00e7o e os resultados se revelar\u00e3o decepcionantes.<\/p>\n<p>Quando concebidas e criadas originalmente, as ag\u00eancias reguladoras foram consideradas como \u00f3rg\u00e3os de Estado. Atentos aos perigos da captura, as propostas originais previam a contrata\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios das ag\u00eancias, pelo sistema da CLT, como forma de permitir a pr\u00e1tica de sal\u00e1rios competitivos com o das ind\u00fastrias reguladas. Uma a\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade, apresentada ao STF pelo PT e PDT, arguiu que \u00f3rg\u00e3os de Estado deveriam ter carreiras de Estado, ou seja, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, o que foi deferido por aquele tribunal. Hoje os funcion\u00e1rios e Diretores tem sua remunera\u00e7\u00e3o sujeita aos limites do servi\u00e7o p\u00fablico, abaixo, portanto, dos pisos salariais que prevalecem nas ind\u00fastrias reguladas. Tal assimetria \u00e9, antes de tudo, um convite \u00e0 captura dos reguladores.<\/p>\n<p>A Lei n\u00ba 9478, de 1997, criou o Conselho Nacional de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica, como atribui\u00e7\u00e3o, como consta do Art. 2\u00ba da referida Lei, &#8211; \u201cde propor ao Presidente da Rep\u00fablica pol\u00edticas nacionais e medidas especificas destinadas a\u201d- um Conselho que seria consultivo e com o objetivo de apresentar propostas. O CNPE veio a se tornar um \u00f3rg\u00e3o de decis\u00e3o que se sobrep\u00f5e \u00e0s ag\u00eancias e as limita em suas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Foram transferidas para os Minist\u00e9rios atribui\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias e s\u00e3o os Minist\u00e9rios que determinam as diretrizes que devem ser por elas seguidas. Isso conspira contra a independ\u00eancia e transpar\u00eancias das entidades reguladoras.<\/p>\n<p>V\u00ea-se claramente que as quest\u00f5es que foram levantadas no s\u00e9culo XIX, quanto \u00e0 interfer\u00eancia pol\u00edtica no processo de regula\u00e7\u00e3o, apesar de discutidas por mais de um s\u00e9culo e sobre as quais h\u00e1 um consenso global, correm o risco de vir a ser ignoradas e relegadas no ordenamento nacional referente \u00e0s ag\u00eancias reguladoras nacionais.<\/p>\n<p>Um \u00f3rg\u00e3o permanente com conhecimento e experi\u00eancia para formular regula\u00e7\u00f5es, dentro de um marco legal claro e objetivo, evitando que venham a ser feitas de forma intempestiva, sem estudos t\u00e9cnicos adequados, atendendo a demandas e decis\u00f5es pol\u00edticas, elaboradas por pessoas com pouco conhecimento e experi\u00eancia, deveria ser o objetivo a alcan\u00e7ar. A rota\u00e7\u00e3o natural dos cargos no Legislativo ou no Executivo, desaconselham sua participa\u00e7\u00e3o no processo regulat\u00f3rio. Resultados recentes mostram que muitas das decis\u00f5es tomadas, praticamente a revelia das ag\u00eancias reguladoras, n\u00e3o foram as mais adequadas e vieram a prejudicar o bom funcionamento da economia.<\/p>\n<p>Uma ag\u00eancia reguladora, com centenas de funcion\u00e1rios especializados e dedicados exclusivamente aos trabalhos de regula\u00e7\u00e3o de uma ind\u00fastria complexa, \u00e9 submetida ao controle, a orienta\u00e7\u00e3o e a determina\u00e7\u00f5es de grupos muitas vezes menor e que n\u00e3o tem o mesmo grau de conhecimento, experi\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o dos quadros est\u00e1veis de um ente regulador. \u00c9 a politiza\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios ministeriais s\u00e3o indica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, com agendas pr\u00f3prias que comprometem a independ\u00eancia e a qualidade do trabalho de regula\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios ao equil\u00edbrio entre os interesses da sociedade, dos agentes econ\u00f4micos e os dos pr\u00f3prios governos.<\/p>\n<p>Nas propostas que est\u00e3o sendo divulgadas, h\u00e1 pontos positivos, como o aumento do mandato dos diretores para 5 anos, sem recondu\u00e7\u00f5es, que se associado a uma rotatividade intercalada do quadro de dire\u00e7\u00e3o, como previsto inicialmente, permitir\u00e1 uma continuidade de conceitos, ao mesmo tempo em que permite a renova\u00e7\u00e3o dos reguladores.<\/p>\n<p>Outro ponto interessante \u00e9 a desvincula\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento das ag\u00eancias do or\u00e7amento dos Minist\u00e9rios, o que permitir\u00e1 menos interfer\u00eancia na fixa\u00e7\u00e3o dos valores anuais dos programas e projetos a serem desenvolvidos.<\/p>\n<p>Hoje, embora a receita para o funcionamento das ag\u00eancias, seja origin\u00e1ria das ind\u00fastrias que regulam, n\u00e3o demandando recursos or\u00e7ament\u00e1rios oriundos de outras fontes, as quais atendem as necessidades obrigat\u00f3rias do or\u00e7amento da Uni\u00e3o, tais como Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, e Seguran\u00e7a, as ag\u00eancias ficam sujeitas aos condicionamentos dos contingenciamentos impostos pelo Executivo, os quais reduzem, substancialmente os valores disponibilizados para o uso, afetando a independ\u00eancia, a efici\u00eancia e a efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>Ser um centro de custo independente \u00e9 um grande avan\u00e7o, mas \u00e9 preciso a seguran\u00e7a de que os contingenciamentos como v\u00eam sendo praticados h\u00e1 muitos anos n\u00e3o venham a ocorrer. Caso contr\u00e1rio, de nada adiantar\u00e1 a independ\u00eancia or\u00e7ament\u00e1ria preconizada.<\/p>\n<p>Os valores recebidos pelas ag\u00eancias t\u00eam representado valores muito menores do que aqueles a elas atribu\u00eddos por Lei. Como recursos previstos em Lei n\u00e3o podem ser cortados, mas, podem ser contingenciados, como mencionado, s\u00e3o criados enormes problemas para o cumprimento correto das atribui\u00e7\u00f5es que as ag\u00eancias recebem, tamb\u00e9m por Lei. Pagar pessoal, mas n\u00e3o alocar verbas para o acompanhamento, avalia\u00e7\u00e3o, regula\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 um erro.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso cuidado, reflex\u00e3o e equil\u00edbrio para n\u00e3o piorar uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil e que vem causando falta de interesse dos investidores nacionais e estrangeiros com rela\u00e7\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o o desenvolvimento da nossa infraestrutura, dos nossos ativos, trazendo grandes preju\u00edzos para a sociedade.<\/p>\n<p>O desejo de controle pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 adequado, quando o que se deseja \u00e9 transpar\u00eancia, responsabilidade e desenvolvimento da confian\u00e7a de que os interesses da sociedade s\u00e3o contemplados, sem prejudicar os interesses do agente econ\u00f4micos e dos governos. Sem confian\u00e7a, n\u00e3o h\u00e1 o desenvolvimento econ\u00f4mico desejado.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No momento em que se discute a reformula\u00e7\u00e3o do papel da Ag\u00eancias Reguladoras no Brasil, \u00e9 bom lembrar que a cria\u00e7\u00e3o destas inspirou-se em modelos.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":24,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-23","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-energia-e-mineracao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":209,"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23\/revisions\/209"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jforman.com.br\/energia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}